terça-feira, 1 de junho de 2010

marina silva, votar ou não votar?

comentário que deixei no blog do marcelo cia do mix do Brasil mas que, até agora, não foi publicado. não sei se pela extensão ou pelo conteúdo contrário....de qualquer forma, segue minha argumentação:

Eu entendo que o posicionamento de Marina Silva em relação à comunidade gay é um
retrocesso quando pensamos num candidato que teria, por obrigação ética, que contemplar a diversidade do pensamento e da vivência como ela (apesar de cristã) prega. Mas será que isso justifica a sentença: "ela não merece seu voto?"
Marina Silva resgata uma perspectiva na politicagem brasileira da qual sentimos muita falta. a da clareza no pensamento, da transparência e da honestidade. os outros dois candidatos são produtos inacabados de um pensamento que se adéqua ao que for preciso pra ganhar votos.
Serra era esquerdista ferrenho, virou direitista dos mais fervorosos e foi, aos poucos,introduzindo perspectivas mais sociais - como os famosos genéricos, e certo apoio à causa LGBT - enquanto minava outras perspectivas estruturais de mudança e de emancipação populacional como a educação, por exemplo. O estado da USP hoje é de chorar de tão ruim!
Quanto à Dilma, bem, quem souber o que é a Dilma que explique! porque é um produto tão mal formado, tão desesperado que ninguém consegue, com clareza, classificar.
Já Marina Silva apresenta um ponto nevrálgico que fragiliza toda a perspectiva transformadora que ela representa: como pode alguém quem supostamente quer avançar com as políticas sociais transformadoras ser porta-bandeira da ética cristã? No geral, o que temos é uma grande lambança de candidatos que nunca contemplam tudo aquilo que a gente gostaria. Eu continuo votando na Marina porque acredito que as transformações que ela pode vir a gerar sejam muito mais estruturais e importantes pro país do que – sem querer minar as lutas tão importantes que o movimento LGBT trava - legitimar o casamento gay. Quem sabe com mudanças importantes na educação, na saúde, no transporte público, em habitação e tudo mais, a sociedade brasileira não se emancipa intelectualmente e concebe, de fato, uma sociedade mais tolerante?